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Central de Convênios (Rio de Janeiro)

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Última Revisão: 5/3/2002

ARTIGOS E TRABALHOS DE INTERESSE (Últimas notícias abaixo dos artigos e trabalhos)

A Medicina que eu conheci (5/3/2002)

Central de Convênios (Rio de Janeiro) (14/1/2001)

Infiltração das empresas de saúde dos Estados Unidos na América Latina (21/11/99)

O contrato entre o médico e o paciente (27/10/99)

Colocando pacientes na frente do lucro (4/7/99)

O Fracasso Estratégico das HMOs (29/5/99)

Hmos com fins lucrativos estão invadindo a América Latina com a ajuda do Banco Mundial (11/04/99)

Artigo importante sobre o sistema de saúde dos Estados Unidos(23/12/98)

Foto da passeata em Washington (6/12/98)

A história do sistema de saúde do Canadá (6/12/98)

Projeto lei para um  Sistema  Único de Saúde nos Estados Unidos (6/12/98)

Um Brado de Alerta!! (1/12/98)

O sistema de saúde do Canadá (3/11/98)

Meu protesto... (1/10/98)

Uma solução radical para a tragédia do Managed Care (23/09/98)

Saúde, uma crise nacional (09/09/98)
 

ÚLTIMASNOTICIAS!
 

Começo a encontrar o managed care aqui no Brasil (29/6/2003)
Vejo que o Brasil está indo pelo mesmo caminho dos Estados Unidos: planos e seguros saúde com fins lucratrivos. Mas aqui tem a UNIMED qyue lá eles não têm. E aqui tem o SUS que lá também eles não têm. Percebo que o Managed Care está aqui. Isso é o esforço dos planos e seguros saúde de limitar os atendimentos e o que é ainda pior determinar os honorários
médicos unilateralmente sem negociar com os médicos. A Central Única de Convênios do Rio de Janeiro continua tentando organizar os médicos para que eles possam ter uma voz nessas negociações.

Brasil 2002 (10/8/2002)
Continuo estudando o sistema de saúde brasileiro, uma cópia dos Estados Unidos. É preciso que se diga que esse sistema de saúde não é o prevalente no mundo. Ele só está se instalando nos Estados Unidos e alguns países do terceiro mundo sob o domínio econômico norte-americano. A Inglaterra, Canadá, Espanha, Suécia, Dinamarca e muitos outros paízes tem um sistema de saúde de acesso universal patrocinado pelo governo que são menos onerosos e mais justos do que o sistema norte-americano.

Agora já falo do Brasil (24/1/2002)
Estou aqui em Belo Horizonte, trabalhando em meu consultorio para atendimento psiquiátrico e psicanalista. Estou tomando conhecimento do sistema de saúde no Brasil, que me parece bastante complicado. Confirmo o que eu ja previa: estamos acompanhando os norte-americanos. Vou me dar um tempo para começar a dar os meus palpites sobre o Brasil.  Voces podem mandar e-mail para mim: wefp.bh@terra.com.br.

BUSH TENTA BLOQUEAR A LEI DOS DIREITOS DOS PACIENTES (27/8/2001)
Bush conseguiu fazer um arranjo com o Deputado Norwood (Republicano) e eles modificaram a Lei dos Direitos dos Paciente que foi aprovada pelo senado. O que o Bush nao gosta é dos pacientes terem o direito de processarem os planos e seguros saúde quando se sentirem lesados. Agora a Camara e o Senado deverão ter um reunião conjunta para resolver as diferenças entre elas. Os planos e seguros saúde tem muito dinheiro para influenciar que tipo de lei será promulgada. O sistema de saúde norte americano continua a ser extremamente perverso. Os empregadores compram seguros para os seus empregados (que pagam os prêmios). Geralmente compram sempre o seguro mais barato e os empregados só vão saber o que o seguro cobre na hora que ficarem doentes. Os seguros por sua vez contratam com as empresas de managed care para cortar custos dos atendimentos. Isso é feito de duas maneiras: diminuindo os honorários médicos e os serviços prestados. Existe uma forma de managed care que é ainda mais perverso: clínicos gerais trabalham sob o sistema de capitation, isso é, recebem uma quantia por cada cidadão colocado sobre os seus cuidados. Daí para a frente todos os gastos com a saúde saem desse dinheiro. Esse clínico geral funciona como um "gate-keeper". Isso é quando menos pacientes ele mandar para especialistas, quanto menos atendimentos ele prestar, maior será a quantia que ele leva para casa. Sinto com grande tristeza que o Brazil vai seguindo o mesmo caminho, provavelmente pressionado pelo Banco Mundial.

Patients' Bill of Rights (11/7/2001)
O Senado norte-americano aprovou a lei do Kennedy-McCain dos Direitos dos Pacientes. A coisa mais importante dessa lei é que ela passa a permitir que os pacientes entrem na justiça por perdas, danos e sofrimentos contra os planos e seguros saúde. Infelizmente o atual presidente Bush já esta ameaçando vetar essa clausula. Ele foi eleito com o apoio dos planos e dos seguros saude que contribuiram milhões para a suaa campanha. Agora ele vai protege-los!

Muito tempo (10/4/2001)
Faz muito tempo que eu não venho aqui trocar ideias com voces. Nesse meio tempo o Brasil fica cada vez mais parecido com os Estados Unidos. É uma pena porque o sistema de saúde daqui, dominado pelas companhias de seguro com fins lucrativos continua deixando muito a desejar. Na psiquiatria as coisas ainda são piores porque os seguros e planos de saúde tiraram a fatia da saude mental, separando-a da saude em geral, para entrega-la para empresas de geranciamento psiquiátrico com fins lucrativos. Assim por exemplo, a Aetna contrata a Magellan para geranciar a psiquiatria. A Magellan, uma empresa de "Behavioral Managed Care", tem acionistas e Chefe Executivos milionários, em busca de lucros. A perversidade do sistema é que o lucro dessas empresas depende da diminuicão dos honorários dos medicos e dos atendimentos "autorizados". Está praticamente impossivel o trabalho com pacientes segurados nos Estados Unidos. O que os psiquiatras estao fazendo e só um atendimento particular e estão se recusando a se tornarem "provedores" para essas empresas perversas.

Estive Recentemente no Brasil (7/12/2000)
Percebi que o sistema de saúde brasileiro se aproxima cada vez mais do sistema norte americano. Os planos e seguros saúde proliferam em busca do lucro Os médicos e os pacientes não têm um voz nesse processo. As empresas da saúde norte-americanas estão presentes. O SUS continua desmoralizado, como sempre, o que aliás é muito bom para as empresas da saúde. Já pensaram o que seria delas se o SUS fosse bom e eficiente? O Ministro da Saúde, essencialmente um político, não é e nunca foi uma pessoa dessa área.

Aqui nos Estados Unidos duas leis estão no Congresso Nacional: a Lei de Campbell que permite ao médicos uma exceção sob as leis anti-trust (Sherman) dando-lhes o direito de se organizarem para negociar em grupo com os planos e seguros saúde. A outra é a Lei dos Direitos dos Pacientes que na versão do Partido Democrata da aos pacientes o direito de processar seus planos e seguros saúde por perda, danos e sofrimento. A primeira já passou na Camara, agora vai para o Senado e a segunda ainda esta sendo debatida na Camara.

Fiquei surpreso com a falta de informação na imprensa brasileira. A IstoÉ publicou uma reportagem sobre os planos de saúde na qual afirma que o sistema inglês é igual ao norte-americano. Meu Deus, é completamente diferente! E nem cita o sistema Canadense que é um dos melhores do mundo. Quando fala dos Estados Unidos diz que quem ganha até 1400 dólares tem um seguro do governo. Não é verdade: só quem é definido como pobre e ganha até 450 dólares (solteiro) ou 650 (casado). Também diz que quem não é pobre e não tem seguro particular pode fazer um arranjo com os hospitais para fazer seus pagamentos. Também não é verdade. Via de regra não são atendidos até que suas enfermidades se tornam agudas e procuram um pronto socorro onde são atendidos por força da lei (recebendo contas enormes). Mandei uma carta para a IstoE esclarecendo essas coisas.

O Caucus (5/25/2000)
Caucus é uma palavra que quer dizer uma reunião informal de pessoas com interesses comuns. A Associação Psiquiátrica Americana promoveu a primeira reunião do Caucus de Psiquiatras que trabalham com pacientes segurados sob o Managed Care. A primeira reunião foi no Congresso da APA em Chicago, no dia 16 de Maio de 2000. A grande esperança é que esse Caucus se transforme num Comitê e num movimento dos psiquiatras clinicos que trabalham com pacientes segurados sob a pressão do Managed Care. Só assim eles poderão ter uma voz nas decisões do Managed Care que afetam as suas vidas e as vidas dos seus pacientes. A Associação Psiquiátrica Brasileira bem que podia ja ir patrocinando um grupo semelhante para lidar com os Planos e Seguros Saude e seus "gerenciamentos".

O primeiro Caucus (18/4/2000)
Pela primeira vez vamos ter um lugar para uma reunião dos "Psiquiatras que Trabalham com Pacientes sob o Managed Care" num Congresso da Associação Psiquiátrica Americana. Esse Caucus (palavr que quer dizer reuniãode pessoas com interesses comuns) foi aprovado pela Assembleia e pelo Board (Conselho Diretor) da APA. Esse é o começo de um movimento que visa dar uma voz aos psiquiatras que trabalham com pacientes de planos e seguros saúde sob o Managed Care. A reunião será no McCormick Place Lakeside, sala E267, Level 2, dia 16 de maio das 9 as 11 da manha (Convention Center).

Agora os psiquiatras aqui receitam sem ver o paciente...(15/4/2000)
A Kaiser Permanente o maior plano de saúde dos Estados Unidos, agora está forçando os seus psiquiatras a escrever receitas para pacientes atendidos por enfermeiras, assistentes sociais e psicologos sem atende-los pessoalmente. Vejam bem como o Managed Care funciona...

O que essa acontecendo aqui (14/4/2000)
Os Planos e Seguros Saúde estão tentando se estabelecer no mercado da saúde nos Estados Unidos. Eles estão gastando milhões em propaganda na TV e contribuição para os políticos.

O Chefe Executivo da Aetna foi afastado de sua posição pelos acionistas que estão desapontados com os lucros da empresa.

Nos Seguros e Planos de Saúde a  Saúde Mental foi separada e  é gerenciada por empresas de Gerenciamento Médico (Managed Care) especializadas em gerencia-la.

As leis americanas não permitem que os médicos que trabalham sob o gerenciamento dessas empresas formem um grupo ou sindicato para negociar as condições e recompensas pelo seu trabalho. O argumento e que eles não têm vinculo empregatício com essas empresas e por isso não podem formar um "cartel".

As empresas de Managed Care não podem ser processadas por perdas, danos e sofrimentos por causa das leis ERISA. Seus diretores clínicos não estão sugeitos aos CRMs daqui.

Existe um Projeto Lei do Campbell no Congresso que propõe que os médicos possam formar grupos e sindicatos para negociar com o Managed Care. Existe Projeto Lei dos Direitos dos Pacientes que permite que os planos e seguros saúde ( e os seus managed care) sejam processados pelos pacientes que se sentem lesados. Os planos e seguros saúde estão gastando milhões para derrotar esses projeto-leis.

Ótima Notícia! (2/1/2000) FELIZ ANO NOVO!!
O Conselho Diretor (Board of Trustees) da Associação Médica Americana acaba de aprovar o "Caucus dos Psiquiatras que trabalham com pacientes segurados". Isso quer dizer que dentro da Associação Psiquiátrica Americana vai ser possivel a formação de um grupo de psiquiatras que trabalham com pacientes segurados. Esses psiquiatras irão trocar ideias sobre se é possivel trabalhar com as seguradoras de um modo ético que preserve a relação médico-paciente. E se for, as condições que tornariam isso possível. Pela primeira vez um grupo como esse se forma dentro da Associação que continua ainda didivida. Muitos psiquiatras americanos acham que é impossivel trabalhar com pacientes segurados e só trabalham no modêlo particular com o paciente pagando do bolso. Outros acham que dentro de certos parâmetros ainda a serem definidos é possível trabalhar com pacientes segurados. Mas para isso o grupo terá de se reunir e ter força de negociação.

A noticia não é tão interessante assim (21/12/99)

Viram a noticia abaixo sobre a United Health Care? Pura conversa e propaganda. Acabo de ler que os médicos de Nova Jersey já estão revoltados quando perceberam a conversa mole dessa empresa de managed care. Ela esta cada vez pior e mais firme em cima deles, impedindo-os de exercer a melhor medicina para os seus pacientes. O managed care volta com fúria e o médicos estão cada vez mais revoltados.

Duas noticias interessantes... (9/12/99)

1.A United Health Care, uma organização gigante de Managed Care, resolveu parar de gerenciar os médicos e deixa-los livres para recomendar os tratamentos dos seus pacientes. Ela descobriu que estava gastando 100.000.000 de dólares anualmente com esse gerenciamento e que estava aprovando 91.9 dos tratamentos propostos. Isso então passou a não ser bom negocio. Muitos gerentes, revisores, etc serão despedidos. Contudo isso não se aplicou à psiquiatria que continua sendo gerenciada.

2. A Assembléia da Associação Psiquiátrica Americana aprovou uma proposta para criar um Comite de psiquiatras que trabalham com pacientes segurados sob o managed care. Agora cabe ao Conselho Diretor aprovar ou não. Como os votos lá são secretos (já pensaram isso numa sociedade democrática?) ainda não sabemos se irão ou aprovar ou não.

Interessante ...26/11/99

Chegando de volta do Brasil, onde fiz uma apresentação pata os médicos do Rio de Janeiro sobre o Managed Care, encontro aqui um movimento da Associação Médica Americana semelhante à Central de Convênios que vi lá no Rio. A AMA agora está criando uma organização chamada "Physicians for Responsible Negotiation" (Médicos a favor da negociação responsável) que é um grupo que irá ajudar os médicos a negociar com os seus empregadores. Aqui ainda não possível que isso seja feito por médicos credenciados pelos planos, convênios e seguros (exceção ao Estado do Texas) por causa das leis anti-trust. Mas já existe um projeto lei no Congresso que irá permitir que médicos credenciados possam se organizar para negocias as condições sob as quais ele irão trabalhar.

Notícia interessante... 21/11/99

A United Health Care, a segunda corporação de gerenciamento médico (managed care) dos Estados Unidos, resolveu parar de gerenciar os médicos. Ela descobriu que estava gastando mais de 100 milhões de dólares com o gerenciamento e que 91.9 por cento das recomendações médicas estavam sendo aprovadas. Agora vai despedir uma porção de gerentes e revisores. Parece que as outras empresas de gerenciamento vão fazer a mesma coisa. Por enquanto a psicuiatria ainda não se beneficiou disso... O setor da saúde mental continua a ser gerenciado pela United Behavior Health, uma subsidiária.

A Lei dos Direitos dos Pacientes passou na Camara federal (10/10/99)
A lei Norwood-Dingell passou na Camara Federal. Não se sabe ainda como ela será votada no Senado. O interessante é que o Congresso, com Maioria Republicana sempre mais conservadora e a favor das grandes empresas, dessa vez votou junto com os Democratas. Isso ocorreu porque vários Deputados Federais Republicanos são médicos ou dentistas e passaram para o outro lado. Entre os direitos aprovados estão:
1. Direito das mulheres irem aos Obstetras e Ginecologistas sem precisarem de encaminhamento
    pelo Médico Porteiro (Gate Keeper, não confundir com Parteiro...)
2. O mesmo com relação às crianças irem aos pediatras.
3. Direito do segurado ir no Pronto Socorro mais proximo mesmo se ele nao for "credenciado."
4. Direito de apêlo a um Corpo de Revisores quando um atendimento for negado.
5. Direito de Processar o plano ou seguro saúde se o segurado se sentir lesado (essa cláusula foi  a
    mais discutida. Os planos e seguros saúde gastaram milhões para tentar desmonta-la).

A maior briga no Congresso
De um lado os democratas querendo dar o direito dos pacientes processarem os planos e seguros de saúde; do outro os Republicanos querendo impedir que isso aconteça. Isso faz parte dos esforços de se criar nos Estados Unidos um Estatuto do Direito dos Pacientes frente aos planos e seguros saúde. O povo norte americano cada vez mais revoltado.

Os médicos aqui não podem nem ter um sindicato...

600 médicos do Estado de Nova Jersey tentaram formar um grupo, um sindicato, para enfrentar o Managed Care. Nao conseguiram. Existe uma lei anti-trust nos Estados Unidos (Sherman) que não permite que medicos se sindicalizem. Por razões que eu ainda nao entendo bem essas leis não se aplicam aos planos e seguros saúde que já se associam formando o seu grupo. Antigamente quando os medicos eram todos "particulares" em seus cosultorios, cobrando os seus honorários diretamente dos seus pacientes, essa lei anti trust fazia sentido no sentido de impedi-los de fixar seus honorários. Mas agora, quando a maioria dos médicos americanos está trabalhando sob contrato com as organizações de Managed Care com fins lucrativos, seria justo que eles pudessem se sindicalizar para fazer frente a essas mostruosas empresas com fins lucrativos. Isso ainda não é possivel apesar de haver um projeto lei no Congresso propondo que os médicos que trabalham sob contrato com os Managed Care possam negociar coletivamente.

A proposta de um Sistema Unico de Saúde para os Estados Unidos, versão 1999

Esse ano, mais uma vez, existe um projeto lei no Congresso Norte Americano para um Sistema Único de Saúde nos Estados Unidos, administrado pelo governo federal e descentralizado para os Estados. Ainda não traduzi esse artigo (em inglês) que fala desse projeto. Assim que o fizer eu o publicarei aqui. No meio tempo, quem quizer le-lo em inglês é só clicar o link.

SOCIEDADE MÉDICA DE MASSACHUSETTS

Interessante como essa sociedade médica, tradicional e muito conservadora dos Estados Unidos encomendou de uma empresa de contabilidade e pesquisa de Washington DC um trabalho sobre os custos do sistema de saúde existente atualmente nos Estados Unidos comparados com um Sistema Unico de Saúde como no Canada. Os resultados foram espetaculares a favor do Sistema Único de Saúde. A economia que seria feita com um Sistema Único de Saude em Massachusetts, ao invés da colcha de retalhos dos planos e seguros saúde com fins luvrativos, é espetacular. Engraçado como os médicos americanos que até há pouco tempo eram contra um Sistema Único de Saúde, agora, dominados pelos planos e seguros saúde com fins lucrativos, estão ficando a favor do Sistema Único. As coisas estão aos poucos mudando...E os médicos brasileiros?...

GERENTES DE CONSULTÓRIOS

Estou convencido que já não é mais possivel nos Estados Unidos trabalhar em seu consultório particular sem um GERENTE DO CONSULTÓRIO e MAIS DE UMA SECRETÁRIA só para lidar com o Managed Care. Todas as companhias de seguro agora separam o atendimento à saúde mental e entregam a uma  organização de Managed Care para gerencia-lo. A papelama é impossivel. Eles "autorizam" três a seis consultas de cada vez e depois dessas sessões devemos mandar outro "Plano de Tratamento". Cerca de um terço do meu tempo profissional é agora empregado preenchendo esses papeis cuja única finalidade é desencorajar o atendimento. A cada dezoito meses tenho de preencher de novo dez paginas para o re-credenciamento e mandar todos os meus documentos outra vez...

DE VOLTA AOS ESTADOS UNIDOS...

Ao chegar de volta aqui, recebi pelo correio as "autorizações" das organizazações de Managed Care para os tratamentos de meus pacientes. Via de regra me "autorizam" seis sessões depois das quais terei - de novo - de preencher e mandar o formulário do plano de tratamento. Recebi também da maior organização de Managed Care os formulários para o meu re-credenciamento. Tudo de novo. Preencher todos os papeis. Um inferno!

CENTRAL DE CONVENIOS DO RIO DE JANEIRO

Estive no Brazil nas primeiras duas semanas de 1999. Andei sondando o Sistema de Saúde que vai se instalando lá. A impressão que tive é que o SUS continua atendendo a grande maioria da populacao brasileira e os seguros e planos de saúde continuam invadindo o "mercado" da suada classe média brasileira. Poucos brasileiros, mesmo assim nos grandes centros, podem pagar do bolso o seu atendimento médico. Noventa por cento dos planos e seguros saúde estão nas mãos da Sul America/Aetna, Golden Cross/Cigna e Bradesco/Prudential (parece que a Aetna comprou ou vai comprar a Prudential).

Fiquei muito bem impressionado com o esfroço que está sendo feito no Rio de Janeiro para a solidificação da Central de Convênios, com a participação da SOMERJ, CREMERJ, SINMED e as SOCIEDADES DE ESPECIALIDADE.

Voces sabem que eu sou a favor de um SUS forte, descentralizado, eficiente para todo o Brasil, como ocorre no Canada. Mas enquanto não chegamos lá, nós médicos, temos de nos organizar para enfrentar essses monstros que são as corporações de saúde. O que eu vi no Rio me deixou muito bem impressionado. Acho que os colegas lá estão se organizando de uma maneira muito mais eficiente do que os colegas norte-americanos.

Maiores informações com os colegas Eduardo Vaz , Vania Novelli ou Marcos Savat.
 

PUXA, FIQUEI MAIS ANIMADO!

Recebi hoje esse e-mail de um estudante de medicina brasileiro. Ele me deu mais esperanças quanto ao futuro do atendimento à saúde no nosso Brazil:

Caro Dr. Márcio:
Sou estudante de Medicina da Escola Paulista de Medicina. Faço parte de
uma entidade chamada DENEM (Direção Executiva Nacional dos Estudantes de
Medicina), que defende veementemente o SUS como sistema de saúde ideal
para a população brasileira.
Tive acesso à sua Home-Page e vi sua luta contra o Managed Care. Aqui no
Brasil estamos atentos a essa ameaça e é importante ver a opinião de
quem vive esta experiência.
Li também na sua HP algumas críticas ao SUS. Concordo com elas, mas vale
colocar algumas resalvas:
1- O SUS é a proposta mais social existente na Constituição Brasileira,
que resultou de anos de luta por parte de diversas entidades médicas.
2- O SUS prevê a municipalização da saúde, com acesso universal,
igualitário e cobre todas as patologias existentes.
3- O fato de o SUS pagar mal os médicos resulta de um política de
sucateamento promovida pelo governo, que atende aos "lobbys" das
empresas de seguro privados, atuando no Congresso Nacional.
4- Ainda sucateado, existem locais onde o SUS está em gestão semi-plena
(em fase de implantação) e dá resultados. Em apenas dois anos alguns
municípios reduziram a mortalidade infantil pela metade !
5- Nossa entidade (DENEM) promove estágios de vivência no SUS (já
ocorreram em Camaragibe-RN e Santos-SP) em localidades onde ele
funciona. Ano que vem estaremos promovendo em alguns municípios do
Ceará. Nestes estágios levamos estudantes de Medicina de todo o Brasil,
que tendo contato com a realidade, apagam a visão veiculada pela mídia e
pelo governo de que o SUS não funciona e que o que vale são os planos
privados.

Bem, resumindo é isso. Obrigado pela luta e por trazer ao Brasil sua
experiência.
Se quiser conhecer mais sobre a DENEM, acesse nossa Home-Page:
http://www.epm.br/capb/denem

Fernando Prado Ferreira.
 

PASSEATA EM WASHINGTON

Afinal fizemos a passeata em Washington! Fou durante o Congresso da Associação Americana de Saúde Pública. O grupo se reuniu no Centro de Convenções de Washington e foi crescendo. Na frente o presidente do grupo "Medicos a Favor de Um Sistema Único de Saúde", Dr. Bob LeBow que inclusive ja esteve no Brasil e fala um pouco de português. Essa organização tem liderado a reação dos médicos americanos contra o seu atual sistema de saúde. A passeata, com bandeiras do Canadá, faixas, estandartes e tudo o mais foi pelas ruas de Washignton com a polícia abrindo o caminho. Todos gritando: "Saúde Para Todos!!". A coisa foi filmada pela TV. Em frente à Embaixada do Canadá houve um comício e um Deputado Federal de Vermont fez um discurso dizendo que irá introduzir legislação no próximo Congresso a favor do "Single Payer", isso é, um Sistema Único de Saúde como no Canadá. Foi uma festa muito bonita.

Uma visita feliz
Quando estive em Belo Horizonte tive a grata satisfação de visitar o Hospital de Neuropsiquiatria Infantil da FHEMIG, isso é, do Estado. Para as pessoas que estão sempre dizendo que as coisas do governo não funcionam eu aconselho uma visita a esse lugar. Gostei muito. Uma equipe que me pareceu muito competente e no dia que eu lá estive, a convite do Dr. Walter Camargos Junior, eles estavam inaugurando um Lar Abrigado para seis residentes severamente incapacitados. Acreditei mais no Brasil.

Eu não sei não...
Desde que voltei do Brasil continuo tentando entender como anda a saúde por aí. Achei tudo muito complexo. De um lado a clínica e os hospitais particulares para uma parcela muito pequena da população. Do outro lado um SUS bem desmoralizado que, ao que parece, paga muito pouco aos psiquiatras e atende muito mal a população. No meio uma porção de remendos: cooperativas, planos de saúde, seguros saúde e as unimeds para a sofrida classe média. Garanto que se os brasileiros juntassem todo o dinheiro que gastam na saúde, inclusive o que vai sair em forma de lucros para a Aetna, Cigna, Prudential e Preferred Health, garanto que daria para terem um Sistema Unico de Saúde semelhante ao Canadense onde todos os médicos são credenciados e todos os cidadãos atendidos. Hoje eu vi os resultados financeiros do último trimestre da Aetna. Bons, muito bons. O presidente da Aetna fala nos investimentos no Brasil que deram um retorno de 24% num pais (USA) onde a poupança rende 4%.

Fiquei sabendo que os planos e seguros saúde irao incluir a psiquiatria. So quero ver como isso vai ser. Se penso como as coisas ocorreram aqui, já posso logo dizer que vai ser uma desgraça para a nossa profissão. Estaremos sob o Managed Care com fins lucrativos. Um pesadelo para os psiquiatras e os seus pacientes. A coisa aqui atingiu tal calamidade que o Congresso Nacional está para legislar os Direitos dos Pacientes. Não gostaria de ver o Brazil trilhando esse caminho mas na minha estadia ai achei que a coisa já estava sendo montada nessa direção.

Depois farei outros comentários.

Estive no Brasil e gostei...
Participei de uma teleconferência em Belo Horizonte e numa mesa no Congresso da Associação Psiquiátrica Brasileira sobre Psiquiatria e Planos de Saúde. Falarei mais sobre essas experiências depois. Mas, no meio tempo, coloquei acima como "Artigo do Dia" um pequeno artigo que escreví sobre o sistema de saúde no Canadá. Percebí que no Brasil ele não é muito conhecido.

A teleconferência foi patrocinada pela Federação Mineira das Cooperativas Médicas (FEMCM) e pela Cooperativa de Crédito dos Médicos da R.M.B.H. (CREDICOM). Ela foi também apoiada pela Associação Médica de Minas Gerais, pelo Sindicato dos Médicos de Minas Gerais e pela UNIMED Belo Horizonte. Participei da discussão com o Dr. Luiz Fernando Nicz de Curitiba e o Dr. Marcus Bosi Ferraz de São Paulo. No congresso da Associação Brasileira de Psiquiatria, tive a oportunidade de participar de uma mesa presidida pelo Dr. Lucio Flávio V. Mendonça, com os colegas Julio Arboleda Florez do Canadá e Vânia Novelli Domingues do Rio de Janeiro.

Mais americanos sem seguro saude!
Um relatório do Census Bureau, entitulado "Cobertura de Seguro Saude 1997", acaba de  revelar que o numero de americanos sem seguro saúde em 1997 cresceu em 1.7 milhões, chegando agora a 43.4 milhões de pessoas. A percentagem dos americanos sem seguro saúde cresceu de 15.6 percento para 16.1 percento. De acordo com Robert Bennefield seu autor, os grupos mais vulneráveis sem seguro saúde são os jovens entre 18 e 24 anos, os hispanicos, os menos educados, os trabalhadores tempo parcial e os estrangeiros.

Congresso da Associação Brasileira de Psiquiatria
O Congresso de Associação Brasileira de Psiquiatria a ser realizado em São Paulo do dia 28 ao dia 31 de Outubro de 1998 será muito interessante para todos nós. É com muita satisfação que eu vejo no programa conferências e mesas redondas sobre o lugar da psiquiatria no sistema de saúde no Brasil. Estarei lá se Deus quizer!

Gente, será que não dá?...
Fico pensando no Brasil. Ainda não entendo bem porque os colegas brasileiros não conseguem se unir para defender os interesses da profissão e dos nossos pacientes. Claro que isso poderia e deveria ser feitos sob os auspícios da ABP e suas Federadas. Será que não daria para se instalar uma Comissão (ou Departamento) de Psiquiatras Clínicos do SUS, outra de Psiquiatras Clínicos das Unimeds, outra de Psiquiatras Clínicos dos Planos e Seguro Saúde e finalmente outra de Psiquiatras Clinicos com Consultórios Particulares? Digo Psiquiatras Clínicos porque acho que esses grupos não devem incluir dirigentes, diretores, etc. Isso paraliza tudo de acordo com as minhas experiências na APA. Se o Brasil vai mesmo copiar o modelo americano, sob pressão do Banco Mundial, então é claro que será justo que os pacientes psiquiátricos tenham também cobertura nos planos e seguros saúde. Eles não podem ser discriminados. Quando isso ocorrer, certamente aparecerão aí as Empresas de Managed Care para gerenciar a psiquiatria. Quem estará lá?...Alguns de nossos colegas. A classe deverá ficar muito unida para negociar com essas empresas as condições e as remunerações pelo nosso trabalho. Nessas negociações eu incluiria até o direito de greve. Mas eu fincaria pé nesses items, entre muitos outros:
Credenciamento Universal
Psicoterapia com Psiquiatras
Planos de Tratamento Unificados
Credenciamento Central para todas empresas.
Empresas nao encaminharem pacientes para profissionais ou grupos e sim para todos os credenciados ficando a escolha a criterio do segurado.
Autorizações para 12 sessões de cada vez.
Autorizações para Avaliação (Consulta Inicial), Acompanhamento Medicamentoso (30 minutos) e Psicoterapia (45 minutos).

Podem saber que essa briga vai ser feia. Estaremos lidando com homens de negocio espertos e bem treinados...

Deem uma olhada
Apenas como curiosidade, aqui vocês podem ver uma empresa de Managed Care. Ela é uma das maiores dos Estados Unidos. Se chama Magellan. Ela gerencia ("manage") os benefícios psiquiátricos de muitos pacientes meus. Um inferno!

Coisas daqui II (USA)
A coisa aqui continua quente. A revolta popular é tão grande que os políticos agora querem se colocar a favor dos direitos dos cidadãos frente aos seguros e planos de saúde. Já existe um documento escrito por uma comissão bi-partidária especificando esses direitos. Mas existe uma desavença entre os democratas e os republicanos. Os democratas são a favor do paciente poder processar os Diretores Médicos desses planos de saúde, por danos sofridos. Os republicanos são contra e sugerem que a industria da saúde financie um sistema de apelos independente para lidar com as queixas dos segurados. Como aqui nos Estados Unidos o cidadão comum sabe que uma maneira de ganhar dinheiro é processar o seu médico, isso se torna importante porque os Diretores Médicos dos Planos e Seguros de Saúde estão protegidos contra isso por causa de uma antiga lei federal. Por falar em médicos sendo processados, todos os médicos aqui têm um seguro profissional que para certas especialidades é muito oneroso. Existe também uma particularidade das leis americanas que facilita essa coisa de processos contra médicos. Aqui nos Estados Unidos os advogados aceitam essas causas com uma clausula de contingência. Eles não cobram nada mas querem 30% do dinheiro arrecadado. O que é pior que é que a pessoa que processa o médico, se perde a causa, não tem de pagar as custas e os advogados do processado. Exercer a medicina aqui não é sopa... Agora, com o Managed Care, está ficando impossível.

No Canada
Aqui está a web page to Medicare no Canada (em inglês). Não confundir com o Medicare americano. Medicare nos Estados Unidos é o Sistema Único de saúde para os cidadãos com mais de 65 anos de idade. No Canada é para todos os cidadãos.

Coisas daqui...
Duas coisas importantes acontecendo aqui. Primeiro: na legislação dos direitos dos pacientes de planos e seguros saúde não passou a cláusula que torna o Diretor Médico das HMOs e Managed Care passível de ser processado por perdas, danos e sofrimento. Isso ocorreu porque os Republicanos têm a maioria na Câmara. Ganharam por seis votos e esses Diretores permanecem na impunidade quando negam pagamento pelo atendimento. Segundo: parece que uma mudança na legislação permitindo que os médicos formem um sindicato para enfrentar os planos e seguros saúde não vai passar. Aqui existe uma legislação antiga anti-truste que visava impedir que os médicos na clínica particular combinassem os custos dos seus serviços. Isso era uma maneira de assegurar a competitividade entre os médicos. Tudo bem. Faz sentido. Mas agora, com os médicos trabalhando com  pacientes segurados, sob o Managed Care, eles não mais estão na clínica particular. São particamente empregados dessas corporações de Managed Care. Mas mesmo assim parece que o Congresso não irá permitir que eles formem seus sindicatos. Acho que nesse ponto o Brasil está mais adiantado!... Graças a Deus!

Um Trabalho Importante
O Dr. Uwe Reinhardt PhD é um economista da Universidade de Princeton. Ele escreve sobre sistema de saúde do ponto de vista de um economista. Aqui está um dos seus trabalhos falando da busca de uma ética da saúde.

No Congresso Americano
O povo americano está cada vez mais revoltado com o sistema de saúde americano, com as HMOs e as organizações de Managed Care, ambas em busca de lucros. O sentimento popular de revolta está tão grande que agora os políticos, em ano de eleição, resolveram responder às exigências da população. O presidente Clinton e os Democratas fizeram uma Leis dos Direitos dos Usuários do Sistema de Saúde. Os Republicanos, com medo de perderam votos, acabaram também partindo para uma lei com esses direitos. Mas existe uma grande diferença entre os Democratas e os Republicanos. Os Democratas querem dar ao cidadão o direito de processar os Diretores Clinicos dessas organizações por sofrimento, perda e danos (como ele têm o direito de fazer com os médicos). Já os Republicanos não querem dar esse direito ao cidadão. Estão seguindo a orientação dos planos e seguros saúde que estão oferecendo um sistema de apelos ministrados por eles mesmos nos casos onde exista uma queixa. Infelizmente os "Direitos" dos Republicanos foram aprovados por uma margem de seis votos. Mas parece que o presidente Clinton vai veta-los porque eles tiram do cidadão o direito de processar as seguradoras. Vejam vocês que é esse sistema que parece o Brasil está adotando!!!

Nota
Coloquei uns links nessa página apontando para a história do Sistema Unico de Saúde do Canada e para um trabalho do Dep. McDermott falando de seu projeto lei para um Sistema Unico para os Estados Unidos. Ambos textos são em português.

Não sei se vocês sabiam mas quem inventou a frase "Health Maintenance Organization" (Organização de Manutenção da Saúde) foi o Dr. Paul Elwood, se não me engano relacionado com o Presidente Nixon (seu médico?). Quem inventou o sistema de Managed Care foi o economista da Universidade de Stanford, Alain Enthoven. Atualmente o Enthoven está muito desapontado com o sistema que ele criou. Diz ele: " A ideia foi de existirem organizações de atendimento à saúde que iriam competir no custo e na qualidade. Mas o que aconteceu e que eles, controladas pelos empegadores, tornaram-se competitivas apenas no custo." Isso está no Time Magazine do dia 13 de Julho de 1998.

Hoje, na lista dos Psiquiatras Brasileiros eu falei como as companhias de seguro, entre elas a Aetna que já está no Brasil, no começo pagam todas as contas dos médicos para que eles não protestem. Depois na medida que começam a monopolizar o "mercado" irão cobrar mais dos segurados e pagar menos aos médicos. Vocês sabem porquê, não? Seus executivos e acionistas aqui nos Estados Unidos estão esperando o dinheiro da saúde dos brasileiros. Em troca de que?...

Logo depois de formar em medicina pela UFMG em 1957 eu vim para os Estados Unidos. Já percorri uma longa estrada desde a minha formatura. Ao chegar nos Estados Unidos, mal falando o inglês apesar de todos os cursos que fiz aí, fui fazer um Internato Rotativo no Mercy Hospital em Baltimore. Depois, dois anos de residência em Clínica Médica no St. Agnes Hospital e em seguida três anos de residência em Psiquiatria n "Psychiatric Institute" da Universidade de Maryland. Hoje sou um Life Fellow da American Psychiatric Association e diplomado pelo American Board of Psychiatry and Neurology.

Profissionalmente já trabalhei em muitas áreas da psiquiatria: hospitais e ambulatórios públicos, hospitais particulares de prestígio e consultório particular; aqui e no Brasil. Em 1974 depois de residir e trabalhar aqui dezesseis anos, voltei a Belo Horizonte onde permaneci treze anos trabalhando no meu consultório particular e numa Clínica que fundei e que hoje se chama Central Psíquica Ltda (CEPSI). Nessa época fiz a minha formação psicanálítica no Circulo Psicanalítico de Minas Gerais.

Em 1987 regressei aos Estados Unidos onde trabalho e resido até hoje. Quando aqui cheguei de volta fiquei tão mal impressionado com as mudanças que encontrei na psiquiatria americana que escrevi um trabalho: "USA, thirteen years later" que foi publicado na revista "Psychiatry". Logo em seguida escreví um outro trabalho: "The selling of American Psychiatry"que foi publicado na Revista "Psychiatric Services". As mudanças que venho presenciando no sistema de saúde nos Estados Unidos estão afetando de modo adverso a prática da psiquiatria nesse país.

Só aos poucos, nos últimos anos fui me apercebendo da importância dos sistemas de saúde em cada nação. Percebi estarrecido como as coisas foram mudando aqui nos Estados Unidos a ponto de agora existir uma revolta geral contra o sistema  por parte dos médicos e da população em geral. Ao mesmo tempo empresários de todos os tipos invadiram a área da saúde, sifonando altos salários e retornos para os seus investimentos. Nos anos 50 e 60 os psiquiatras e psicanalistas americanos podiam trabalhar com um grande número de pacientes particulares e o sistema público fazia o atendimento dos que não podiam pagar. Hoje o número de pacientes particulares diminuiu sensivelmente pois a maioria da população tem seguro saúde particular, seguro esse que por lei deve ser oferecido pelos empregadores. Essa mudança no sistema de saúde se deu tão subitamente que os psiquiatras americanos não se aperceberam do que estava ocorrendo. A coisa foi feita aos poucos, sedutoramente. No inicio os seguros pagavam qualquer conta que os médicos apresentassem e assim os médicos foram conquistados. Mas, uma vez o sistema tendo sido instalado,  gradualmente os ferrolhos foram sendo colocados.

O maior e mais perverso desses ferrolhos se chama Managed Care. Na psiquiatria é uma calamidade. As seguradoras dão a fatia dos atendimentos às doenças mentais para essas Empresas de Managed Care que se especializem em controlar os atendimentos. No fundo a coisa é simples: menos atendimento, mais lucro. Os psiquiatras aqui estão aos poucos se tornando empregados não oficiais dessas empresas, sem benefícios e direitos que os trabalhadores em geral têm.

São agora milhares de empresas de Managed Care com fins lucrativos cujas metas são simples baixar os custos para os empregadores e seguradoras através de limitar ou negar atendimentos. A coisa foi feita com tanto assessoramento legal que essas empresas nem são legalmente responsáveis quando negam o atendimento necessário. Na medida que os cuidados com a saúde passaram a ser controlados pelos empregadores esses passaram a contratar os seguros mais baratos e esses, por sua vez,  passaram a contratar as empresas de Managed Care na expectativa delas reduzirem os seus gastos com os benefícios prometidos. Trata-se de um sistema perverso que está permitindo o enriquecimento de muita genta às custas dos pacientes e dos médicos.

No sistema americano existem ainda outras consequencias desastrosas para a população. Por exemplo 43.000.000 de americanos não são segurados. Geralmente são os cidadãos com empregos temporários e doenças pré-existentes. Um empregado que tenha adquirido uma doença crônica enquanto trabalhando para uma empresa não pode mudar para outra empresa porque o seguro dessa outra não irá aceita-lo. Quando isso é possível o custo é proibitivo.

Contrastem esse sistema com o Sistema Unico de Saúde do Canadá. Lá, a grande maioria da população está satisfeita. Todas as pesquizas confirmam isso. O empregador canadense não participa do sistema de saúde. O sistema é administrado pelo governo federal mas descentralizado para a províncias que têm grande autonomia na priorização do dinheiro saúde. Cada província tem um Conselho que negocia com as Associações Médicas os honorários médicos. Os médicos não são empregados do Estado. Cada um tem a sua clínica particular. Não é um sistema perfeito. Às vezes os médicos entram em greve (o que são proibidos de fazer nos Estados Unidos por causa das leis anti-truste). Mas o que é mais importante é que todo cidadão canadense tem acesso à saúde.

As empresas de seguro saúde americanas gastaram e continuam gastando milhões para desmoralizar esse sistema único canadense perante ao público americano. O sistema canadense é uma grande ameaça para os planos e seguros saúde com fins lucrativos dos Estados Unidos. Mas já existe no Congresso americano um projeto-lei para um sistema único de saúde semelhante ao sistema canadense. Trata-se do projeto lei HR-1200 do Deputado McDermott que por sinal é um psiquiatra.
 
 

Tomei conhecimento que o Brasil procura agora copiar o sistema americano e que empresas de saúde americanas: Cigna. Aetna e Prudential já estão operando no Brasil em parceria com empresas brasileiras. Os brasileiros e mais especificamente os psiquiatras brasileiros podem aprender muito com o que aconteceu aqui. Numa pesquisa que eu fiz são poucos os paízes que estão copiando o sistema americano. Ao que eu saiba eles são: Tailância, Indonésia, Malasia, Hong Kong, India, Chile, Argentina e Brasil. Os outros países do primeiro mundo não estão adotando esse sistema. A Inglaterra tem um Serviço Nacional de Saúde, o Canadá tem um Sistema Único de Saúde e os outros países tem sistemas de saúde com acesso universal.

Minha esperança é que esse tema seja discutido exautivamente pelos brasileiros para que o nosso país tenha um sistema de saúde adequado, de qualidade e que ofereça acesso univesal. Acho muito importante que os psiquiatras brasileiros se unam numa voz comum sob os auspícios da Associação Brasileira de Psiquiatria e suas Federadas.

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